22 de agosto de 2013

Porque o susto pode ser bom



Quando finalmente a integração verdadeira acontece. Verdadeira porque necessária e não porque a menos dolorida ou a mais justa. É como se um cristal, uma cápsula ou algo assim se rompesse dentro de mim. O que antes incomodava, como uma pedra no sapato, passou a outra forma. De modo algum foi expulsa, pelo contrário.
Desde muito tempo venho carregando nas vísceras esse não-eu, esse pequeno monstro que cresceu na sombra do meu corpo. Ou melhor - e aqui levo a experiência à radicalidade - é como se o corpo conseguisse voltar à cena em sua completude. Até as partes feias, nojentas, desconhecidas, ignoradas vieram à tona. Desmoralizando-me para integrar todo meu ser.
Quando finalmente o rompimento acontece seu conteúdo se torna um bálsamo morno e perfumado. O que antes era fétido e repulsivo agora é aromático e reconciliador. Para ser menos poético, é como se eu tirasse uma casquinha de pipoca entre os dentes e a comesse. Antes incomodava porque estava deslocado de lugar. Tenho a certeza empírica, psicológica, corporificada daquela antiga verdade: O mal é o bem em lugar errado. A comida encerrada entre os dentes que volta ao aparelho digestivo e cumpre seu papel. Da mesma forma que o corpo o faz quando este pode sê-lo em sua plenitude.
Nada há de assustador. Dentro da cápsula-visceral apenas há você mesmo. Sinta seu aroma e se reconheça.


Quando finalmente a integração verdadeira acontece não trazemos nada de fora, apenas olhamos para o que tínhamos em nossos bolsos e nos alegramos. A sensação mais linda de todas talvez seja essa: ser pleno com o que se é. E isso implica em tomar fôlego na forma de um agradecimento para poder lutar por aquilo que desejamos ser. A luta por um ideal, herói, só acontece quando parte de uma raiz profunda em si mesmo. A montanha mais elevada mergulha sua profunda paz nas entranhas da Terra.

Não tenha medo do desconhecido, não seja avesso à sombra: apenas conheça e ilumine.


Hare Krishna, Hare Ram

9 de agosto de 2013

Kundalini cósmica


E hoje uma flor vermelha, encarnada, viva e pulsante desabrochou em mim. Bem abaixo do umbigo. Ela estava germinando há muito. Quando nasci, parece que sua semente já existia antes de mim em mim. Ela é tão antiga quanto minha consciência. Durante muitas vidas ela já nasceu e apodreceu em meu corpo/alma diversas vezes.
E hoje, novamente, ela explodiu em cores e perfume. Sempre soube que um dia isso aconteceria. Mas a semente foi sábia e emergiu em flor no momento certo. Quando a cabeça pôde segurar o baque da flor.
Abriu-me em possibilidades, aventuras e intensidades! Antes, na adolescência talvez, ela já tenha lançado botões, mas eles morreram, voltaram sob a forma de futuro-possível.
Agora, só agora pude perceber que sempre estive acompanhado. Se sou algo imcompreensível, meu deus é mais!!!

Foi fechar o olho, aumentar o som, dançar liberto para me despreocupar com o mundo que ela pulou do meu primeiro chakra. Foi um ploc singelo, mas notável. Foda-se! Quero ser eu, quero me permitir a existência. Antes dela desbrochar, meu sentido estava direcionado aos outros: o que vão pensar, o que esperam de mim, que papel devo cumprir. Agora não! Pelo menos é a intenção. Se não quiser que a flor murche devo cuidar dela. Regá-la todo dia com doses de insanidade, de horizontes possíveis. E sim, lógico, de praticidade. Porque não sou mais tão jovem para sonhar coisas impossíveis.

Vou cirandar! Dar as mãos aos amigos e sair rodando numa ciranda por aí. Pra onde? Não importa. pra onde for. Venha! Vamos ficar tontos, cair na grama e rir muito. Saia despreocupado, você pode conquistar o mundo dessa vez. Encorage-se, oxe menino. O mundo está aí pra ser vivido. A cabeça no céu, mas os pés no chão. Pensamento sem raiz voa e vai embora.
Quero respeitar quem sou e isso tenho certo.
Já basta de gestar. O Sol em Leão fez o parto que devia ser feito.