Passei estes últimos anos imerso na vida acadêmica. E agora que me distanciei um pouquinho dela pude perceber algumas coisas. Dentre elas que o problema não está na universidade (ou na ciência) em si, mas na maneira como eu me relacionava com ela. Mas logo após o rompimento vem a radicalidade. Depois de queimar a razão na fogueira da experiência e da espontaneidade, a gente sente um incômodo.
Mas uma coisa está recorrente nos meus pensamentos e conversas: Nesse período de juventude, de militância e de hedonismo, me relacionei com as pessoas por afinidade ideológica e política. Mas fui percebendo que até entre os locões existe egoísmo; que nem todo artesão-de-rua pode ser chamado de hippie; que as pessoas não são seus rótulos; e essas coisas de gente menos jovem.
E a gente vai percebendo as surpresas (e ensinamentos) que o tempo carrega. Estou começando a perceber meu lugar no mundo e, acima de tudo, aceitá-lo. Porque a Universidade nos seduz com sua pretensa universalidade. Vivemos na bolha do capital cultural. Mas um excelente léxico não é muito útil para trabalhos precarizados.
Assim, penso que as afinidades morais e afetivas são muito melhores para se manter uma amizade. Com muitos não converso mais, de muitos outros gostaria de me reaproximar. Isso não quer dizer que aqueles foram menos amigos, tampouco que estes o são. Mas acho que é a força da mudança que não nos deixa de açoitar! O lance é que o amadurecimento e o crescer não é o fim, um estágio definitivo, mas o próprio caminhar.