27 de janeiro de 2014

Sobre o agora e o de antes

Passei estes últimos anos imerso na vida acadêmica. E agora que me distanciei um pouquinho dela pude perceber algumas coisas. Dentre elas que o problema não está na universidade (ou na ciência) em si, mas na maneira como eu me relacionava com ela. Mas logo após o rompimento vem a radicalidade. Depois de queimar a razão na fogueira da experiência e da espontaneidade, a gente sente um incômodo.
Mas uma coisa está recorrente nos meus pensamentos e conversas: Nesse período de juventude, de militância e de hedonismo, me relacionei com as pessoas por afinidade ideológica e política. Mas fui percebendo que até entre os locões existe egoísmo; que nem todo artesão-de-rua pode ser chamado de hippie; que as pessoas não são seus rótulos; e essas coisas de gente menos jovem.
E a gente vai percebendo as surpresas (e ensinamentos) que o tempo carrega. Estou começando a perceber meu lugar no mundo e, acima de tudo, aceitá-lo. Porque a Universidade nos seduz com sua pretensa universalidade. Vivemos na bolha do capital cultural. Mas um excelente léxico não é muito útil para trabalhos precarizados.
Assim, penso que as afinidades morais e afetivas são muito melhores para se manter uma amizade. Com muitos não converso mais, de muitos outros gostaria de me reaproximar. Isso não quer dizer que aqueles foram menos amigos, tampouco que estes o são. Mas acho que é a força da mudança que não nos deixa de açoitar! O lance é que o amadurecimento e o crescer não é o fim, um estágio definitivo, mas o próprio caminhar.

3 de janeiro de 2014

Sobre o inexplicável

O sentimento Odara é a certeza de que tudo está em seu correto fluxo harmônico; é aceitar as curvas do caminho sem tentar desbravar atalhos desnecessários e perigosos; é a compreensão da grandeza do caminhar que em seu simples e fugaz ato pode levar o homem ao encontro dos outros e de si mesmo.
É a felicidade por ser exatamente quem se é. Por isso, não é algo que ganhamos do exterior. Na real, acho que é o oposto disto: chegamos a Odara quando reencontramos o sentido de estar vivo cá dentro de nós; quando olhamos para as estrelas com olhos abertos ao passado e ao futuro. Quando respeitamos o ritmo do mundo e das pessoas. Esta sabedoria nos faz ter fé no Universo, ter fé nos homens. E a fé é a resignação que me impulsiona a lutar pelo bem coletivo. Talvez esta seja a força que desloca o meu olhar do meu ego e faz engolir minhas dores para ouvir a dor dos outros.
Odara é o bom caminho. Laroyê! É aquele que acende a centelha divina dentro de nós. Não acredito em um Deus que um dia resolveu criar tudo e assim o fez. Penso mais num processo de eterno movimento, constante (re)criação. O caminhar do Universo nunca parou, e isto é divino. Sabe quando sacamos um monte de coisa e esta epifania nos faz mais feliz, mais pleno, mais vivo? Então, Odara!



Excrevi um negócio logo que soube da gravidez, mas não publiquei. Olha só, como já sabia que era Odara:

"Sobre as últimas coisas que vêm acontecendo.
É sobre a vida e a morte. Que, na verdade, são a mesma coisa. Não há eira nem beira, sem caminho, sem desvio nisso tudo. Ninguém escolhe a hora, se trata apenas de ter acolhida ou não.
Descobri o amor num teste de gravidez. Dizem que foi descuido, penso que foi o carinho, a vida e a caridade se expressando. É quase absurdo notar que foi na justa medida quando eu tinha me resolvido em partes integrais (é só ler as coisas de antes), quando decidi que seria feliz e fui atrás. Esse espírito resolveu se materializar no momento em que eu dei voz a mim mesmo (enquanto corpo e espírito). Ele é a trindade, é a resolução da ambiguidade, a síntese.
Filh@, você é a revolução de mim. Tanto no sentido de completo rompimento com o antigo a partir das bases já envelhecidas. Como no sentido da volta, da compleição do ciclo em torno do Astro-rei. É uma volta em torno de si mesmo. É o cumprimento de um ciclo que retorna para um ponto de origem que não é mais o mesmo. É como se eu voltasse para casa depois de uma longa viagem, tirasse os sapatos molhados e me recostasse mornamente na poltrona."