29 de julho de 2013

Vish... Treta de mil graus!

Só para que eu não esqueça de algumas relações de sentido produtivas.
E o interessante disso tudo é a surpresa que um evento, aparentemente negativo, pode suportar em si. E pronto! Encontramos algo bom no que era pra ser apenas ruim. Agradecemos com humildade ao algoz ao compreender sua função magistral (de mestre).
Enfim...



O Tetragrammaton por mim:
O pentagrama ou a estrela de cinco pontas é a base - ou o contexto - em que todos os signos estão impressos. São cinco letras A unidas pelo pé. A pira do número cinco diz respeito à humanidade em perfeição, o sentimento "odara". Podemos pensar no Homem Vitruviano, ou na harmonia do corpo humano. Me vem à mente o Renascimento e o "homem" enquanto medida de todas as coisas por ser considerado a criação divina mais acabada. É a união entre o Céu (três) com a Terra (dois), ou seja seria a solução para a dualidade criada a partir do movimento. Talvez a atuação criativa do que é divino.

Os olhos e o símbolo de Júpiter representam a figura de Deus na sua dimesão normativa, ética ou mesmo conceitual. Uma vez que o tema da vigilância (alter-ego) intermitente é notável nesse símbolo; junto a isso figura Júpiter/Zeus que é o arquétipo de um deus paternal (ou mesmo viril), ligado à noção de elevação moral e ao conceito ocidental de civilização. Seria o tipo ideal de humanidade greco-romana. Os grandes complexos simbólicos (filosofia, religião, ciência, arte) são constituintes desse contexto formando o paradigma de humanidade ideal (o arcano quatro do tarô).

Marte nos braços da estrela é o impulso criador/destruidor. Aquele fogo do desejo que nos movimenta que põe em ação nossas ideias. O aspecto masculino em si, aquele que fecunda e que peleja. É o movimento assertivo, agressivo, invasor e explosivo. Representa o impulso que rompe obstáculos para se realizar. São os momentos desprovidos de racionalidade ou de harmonia. Articulado ao Áries astrológico, deus da guerra e da agricultura, que inicia qualquer movimento mas que não o sustenta. É o fogo da explosão criadora (big-bang), pura energia.

Saturno nas pontas inferiores. Aquele planeta tido por muito tempo como sinal de mau-agouro. Porém o entendo como o doloroso processo de amadurecimento. O símbolo representa a sabedoria adquirida através de longos anos de estudos (Cronos), de progresso moral e técnico. É a experiência de aprender com nossas vivências, é o conhecimento que os anciões/mestres/gurus carregam. Pode ser articulado ao Eremita (arcano nove do tarô). São os conhecimentos esotéricos, herméticos, mágicos dominados apenas pelos iniciados. Esse símbolo lida com as dimensões mais densas e imutáveis da criação. Talvez próximo a Obaluaiê pelo ar de mistério, aridez, castração e morte que envolve esse arquétipo.

O Sol e a Lua são os aspectos dúbios e complementares da criação. Esses dois luminares celestes reduzem em si talvez o reconhecimento mais fundamental na vida humana: a diferença entre dia e noite. E desdobra de si infinitas dualidades: homem/mulher, ativo/passivo, claro/escuro, cultura/natureza, quente/frio... e por aí vai... Simbolicamente esses pares de opostos são complementares e, portanto, equivalentes. Porém, na prática é evidente que a sociedade machista em que vivemos privilegia um dos pólos. O interessante, no entanto, é notar a existência do masculino e do feminino como partes indispensáveis de uma unidade precedente. Assim, o Sol e a Lua, nesse contexto, representam o eterno movimento de divisão, união e criação (nova divisão).

Mercúrio e Vênus são planetas derivados da "tensão" entre o Sol e a Lua. Sendo que Mercúrio representa o poder dinâmico externalizador da dimensão solar/masculina da criação. É aquele que domina intelectualmente as forças da natureza e o faz em favor de seu próprio interesse. Ligado à racionalidade, ao ego, às trocas (de bens e de saberes). É o Mago do tarô. Por outro lado, Vênus simboliza a força receptiva ou introspectiva da dimensão lunar/feminina da criação. Resume tudo que é belo e harmônico no mundo. É a sensualidade e aquilo que envolve o mundo dos sentidos físicos (visão, paladar, audição, olfato e tato) e tudo aquilo que é agradável a estes. Na união desses dois aspectos temos o equilíbrio e a justa medida das coisas. A partir disso emerge o Caduceu de Hermes, que sugere a transformação, sublimação ou transcendência pela união dos opostos. É a força vital (ou libidinal) que parte da base da coluna e explode no alto da cabeça, percorrendo e ativando todos os chacras.

Alfa e Ômega representando o início e o fim do mundo

O Cálice (água), a Espada (ar), o Bastão (fogo) e a Moeda (terra) representam os quatro elementos. A partir disso podemos expandir o sentido com analogias: água-sentimento, ar-pensamento, fogo-intuição, terra-percepção. Essa comparação foi proposta por Carl Jung e nesse site está bem da hora Essa interpretação difere das que encontrei pela internet (link), mas penso que assim está coerente aos naipes do baralho do tarô e pra mim faz mais sentido, foda-se.

Além desses, existem outros símbolos no Tetragrammatom, mas não vou falar daquilo que não conheço.

6 de julho de 2013

A Carruagem

Pego um livro de poesia qualquer, abro-o mecanicamente. A página aberta agarrou exatamente o momento em que eu estava vivendo! É quase absurdo ou caótico como eventos significativos pipocam diante de meus olhos. Ao decidir que iria escutar aquele sopro extrafísico (intuição) as coisas começaram a tomar uma congruência notável. "Quando o trabalhador está pronto, o serviço aparece". Difícil de acreditar, porém no momento em que decido voltar meus olhos para as coisas da alma - do inconsciente, do oculto, do extrasensorial, do metafísico... enfim, dos processos energéticos de longa duração e extrema sutileza - livros, pessoas, eventos e fenômenos com essa tonalidade pulam na minha cara. É como se alguém respirasse aliviado ao me ver caminhando nessa trilha e me presenteasse com uma bicicleta para viajar com mais tranquilidade. Sei lá...
Por outro lado, a partir da decisão de colocar a lente do místico nos olhos, fica evidente que o mundo vai assim parecer. É como se escolhêssemos - mais ou menos autonomamente - como interpretar, dar sentido, a uma realidade aparentemente caótica e carente de sentido.

Na real, eu fico pendulando entre essas duas perspectivas: a do nativo apaixonado e a do relativista niilista. Muitas vezes misturando os dois pólos. E ainda fico intrigado como a água e o óleo não se misturam, poxa! Mas aí seria regredir. Pessoas com signo solar que apresenta duplicidade (gêmeos, libra, escorpião, sagitário, capricórnio) tem que parar de desejar a unicidade. Não, o máximo que conseguiremos fazer - e isso é o meu ideal - é complementar as duas polaridades. Ou seja, aceitar a nossa ambivalência e saber como um lado nutre e carrega o outro. Seria simples se não se tratasse de ser humano.
Só sei que o Saturno passando por Escorpião está sendo como um terremoto em alto-mar: todos sentem o tremor, a mudança, mas ele não é evidente e ninguém sabe definir realmente da onde vem.
A poesia que me agarrou é:


AREIA DA PRAIA

Estou farto de juntar idéias tensas,
trancá-las em rimas e formatos
e ver palavras outras, leves,
sem compromissos, omissas, à toa,
soltas ao vento...

Estou cansado de juntar alimento
para todo o ano
e deixar que a primavera e o verão
se percam em mar, sol e flores,
enquanto eu bato prego
e fecho trancas do meu silo.

Estou farto de querer ser voz e razão
e defender ideais,
como o faminto defende um velho pão.
Estou saindo de cena,
fechando para balanço.
Hoje, estou seco, sem eco.
Estou farto de fome,
de escrever na areia da praia...
(Célio Pires de Araújo)