Impressiono-me muito com a diversidade do humano. Sou impactado com as diferentes formas de estar no mundo que os homens engendraram durante sua filogenia. Se pudermos falar de uma experiência geral da humanidade, talvez seja mesmo a produção de diversidades radicais. O interessante é notar que essas diferenças no modo de se engajar com o mundo, entender e produzir a si próprios (enquanto "raça humana", culturas e agrupamentos) muitas vezes podem ser antagônicas ou conflitivas. Mas fico de cara realmente, junto com Lévi-Strauss, com as continuidades, semelhanças e pontos de contato.
Por isso consigo entender que Oxalá, Krishna, Jesus, Buda e Jah (por exemplo) podem ser entendidos enquanto uma única força, uma só potencialidade trans-humana de se sentir bem consigo mesmo, com os outros e com o mundo que nos cerca. É como se as energias emanadas por essas figuras de poder nos condicionassem a uma só força: a compreensão pacífica de nosso lugar no mundo. São entes que inspiram os homens a agir de forma respeitosa, como se viessem de uma só luz, um só núcleo vivo e pulsante!
Deve ser por isso que não consigo escolher. Não sei ser só cientista-antropólogo, matemático-astrólogo, católico, umbandista ou budista. Todos esses devires me afetam e me subjetificam.
Mas, enquanto práticas humanas, entendo que são históricas e culturais. Nós próprios tecemos o emaranhado de sentido que nos constitui e nos impulsiona a sermos mais humanos. Como se uma aranha feita ela mesma dos fios que produz. Se nós fabricamos matéria, também é certo que fabricamos energia. E apesar destas não terem uma objetividade explícita, elas têm efeito concreto na realidade. É claro que o fenômeno humano não vem do além, vem de nós mesmos; de nossa vontade, de nossa caminhada em direção ao horizonte ideal. De Oxalá à Buda são todos arquétipos que tecemos na tentativa de sermos mais humanos. Talvez sejam utopias que nos impulsionam para o mundo dos sonhos, que, na verdade, objetificam o mundo dos sonhos. Em cada ritual percebo que me aproximo daquilo que mais quero ser. Aqui eu concordo com o budismo e hinduísmo que diz que dentro de cada um de nós habita uma fagulha divina. As religiões de matriz afro e também a astrologia me ensinam que todos temos todas as capacidades possíveis, apenas nos basta tomá-las como lição e guia. Mais que aceitar o karma ou o destino, precisamos assumir sua condição e lidar com isso de forma benfazeja.
Ser pessoa implica em ser divino, já que o transcendental é tão terreno quanto nós.
Aliás, não posso provar nada disso que pensei e escrevi! Mesmo porque a prova, enquanto método científico de inserir algum enunciado dentro "do verdadeiro" está há séculos em tensão com o saber metafísico, não? Não posso provar racionalmente que o transcendental existe, mas posso me banhar no oceano de experiências que estão antes e além da matéria. E, enquanto experiências, fica quase impossível traduzí-las em palavras. Só não quer que a ciência seja uma porta trancada para novas afecções, paixões, deleites, inspirações, formas de existências. Então, cuidado, não me venha com a sua desfocada luminosidade positivista!
Aliás, não posso provar nada disso que pensei e escrevi! Mesmo porque a prova, enquanto método científico de inserir algum enunciado dentro "do verdadeiro" está há séculos em tensão com o saber metafísico, não? Não posso provar racionalmente que o transcendental existe, mas posso me banhar no oceano de experiências que estão antes e além da matéria. E, enquanto experiências, fica quase impossível traduzí-las em palavras. Só não quer que a ciência seja uma porta trancada para novas afecções, paixões, deleites, inspirações, formas de existências. Então, cuidado, não me venha com a sua desfocada luminosidade positivista!
"Os Homens aprenderam com Deus a criar/ E foi com os Homens que Deus aprendeu a amar"
