Sabe, não entendo como certos eventos começam a perder sentido. Uma presidente acaba de assumir o governo do meu país e, assustadoramente, nada mudou para mim. Pois é... É interessante ver como a organização se alimenta de si própria. Ou melhor, se alimenta do trabalho alheio. Eu tento fugir do jargão marxista, mas nada me ocorre a mente quando olho para esses tempos.
Não entendo todo aquele ódio tucano antes das eleições. De verdade! Não vejo a nova presidência rompendo com compromissos burgueses, promovendo uma perigosa reestruturação na economia, reorganizando a posse da terra ou mesmo estimulando qualquer pensamento crítico que vise à mudança. Pelo contrário, o que vejo talvez seja o mais inteligente ardil de privatização dos fundos públicos. Afinal ninguém se apercebe quando bilhões (dinheiro do trabalhador) são usados para salvar as grandes empresas (interesse privado), desde que se transfira alguma bolsa-assistencialismo para os mais necessitados.
É claro, não sou contra acabar com o horror da fome, da miséria ou da doença crônica. Entendo as grandes melhorias que o governo do antigo presidente, antigo metalúrgico, antigo revolucionário promoveu no país. O que não entendo é porque levar o nome de Partido dos Trabalhadores quando os mais beneficiados nessa festa toda foram os patrões! São tempos difíceis esses em que se acusa de esquerda, comunista, terrorista, subversivo grupos que apenas lutam por reformas, gente. Afinal, não vejo como reestruturação o REUNI ou PROUNI, por exemplo.
Quem sabe eu apenas não esteja sendo fatalista demais. Otimismos são raros depois de tantas decepções históricas. De forma alguma confio em essencialismos, mas percebo que estamos passando por um processo de intenso individualismo capitalista; e fico tentado enxergar na humanidade algo de perverso. Talvez precise de férias, num lugar longe de caretas de qualquer tipo; lugar de maluco-belezas, bichos-grilo, ventanias e mutantes... Um lugar em que apenas os loucos ou os inocentes saibam chegar. Lá a brisa baterá mais forte nos olhos da alma e não precisaremos de substâncias para amar, apenas nosso corpo bem afinado nos servirá. Chega de moralismos! A Liberdade será!
Mas essa utopia precisa ser construída, não está nos esperando em algum lugar depois do arco-íris. Para construí-la é preciso acabar com os pessimismos, e esse passo ainda não consigo dar! Uma pena!