23 de maio de 2010

Quero

Quero ver o sol atrás do muro
Quero um refúgio que seja seguro
Uma nuvem branca sem pó, nem
fumaça
Quero um mundo feito sem porta ou
vidraça
Quero uma estrada que leve à verdade
Quero a floresta em lugar da cidade
Uma estrela pura de ar respirável
Quero um lago limpo de água potável


Quero voar de mãos dadas com você
Ganhar o espaço em bolhas de sabão
Escorregar pelas cachoeiras
Pintar o mundo de arco-íris


Quero rodar nas asas do girassol
Fazer cristais com gotas de orvalho
Cobrir de flores campos de aço
Beijar de leve a face da lua


No fim, é o que eu sempre quis. E vou continuar querendo. Andar na contra-mão com os pés descalços na grama molhada de um pomar. Pescar e cuidar da criação. Ter minha companheira pra dividir um fim de tarde na varanda e também madrugadas estreladas.

18 de maio de 2010

Suspiros íntimos ou conselhos contra o afeto.

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


E não tenha pena de mim, por todo esse fatalismo. Tenha pena de si mesmo que vai ser escarrado, que vai ser apedrejado por sua inocência, pela confiança que depositou no outro. Eu sou esse outro, você é esse outro. Nós todos, por não conseguir saber o que é o outro, nos tornamos vis, egoístas, ardilosos, arrogantes. E isso não é um defeito desse ou daquele modo de existência. Mas um defeito de toda humanidade que se construiu pela individualidade.


Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...