Só para que eu não esqueça de algumas relações de sentido produtivas.
E o interessante disso tudo é a surpresa que um evento, aparentemente negativo, pode suportar em si. E pronto! Encontramos algo bom no que era pra ser apenas ruim. Agradecemos com humildade ao algoz ao compreender sua função magistral (de mestre).
Enfim...
O Tetragrammaton por mim:
O
pentagrama ou a estrela de cinco pontas é a base - ou o contexto - em que todos os signos estão impressos. São cinco letras A unidas pelo pé. A pira do número cinco diz respeito à humanidade em perfeição, o sentimento "odara". Podemos pensar no
Homem Vitruviano, ou na harmonia do corpo humano. Me vem à mente o Renascimento e o "homem" enquanto medida de todas as coisas por ser considerado a criação divina mais acabada. É a união entre o Céu (três) com a Terra (dois), ou seja seria a solução para a dualidade criada a partir do movimento. Talvez a atuação criativa do que é divino.
Os olhos e o símbolo de Júpiter representam a figura de Deus na sua dimesão normativa, ética ou mesmo conceitual. Uma vez que o tema da vigilância (alter-ego) intermitente é notável nesse símbolo; junto a isso figura Júpiter/Zeus que é o arquétipo de um deus paternal (ou mesmo viril), ligado à noção de elevação moral e ao conceito ocidental de civilização. Seria o tipo ideal de humanidade greco-romana. Os grandes complexos simbólicos (filosofia, religião, ciência, arte) são constituintes desse contexto formando o paradigma de humanidade ideal (o arcano quatro do tarô).
Marte nos braços da estrela é o impulso criador/destruidor. Aquele fogo do desejo que nos movimenta que põe em ação nossas ideias. O aspecto masculino em si, aquele que fecunda e que peleja. É o movimento assertivo, agressivo, invasor e explosivo. Representa o impulso que rompe obstáculos para se realizar. São os momentos desprovidos de racionalidade ou de harmonia. Articulado ao Áries astrológico, deus da guerra e da agricultura, que inicia qualquer movimento mas que não o sustenta. É o fogo da explosão criadora (big-bang), pura energia.
Saturno nas pontas inferiores. Aquele planeta tido por muito tempo como sinal de mau-agouro. Porém o entendo como o doloroso processo de amadurecimento. O símbolo representa a sabedoria adquirida através de longos anos de estudos (Cronos), de progresso moral e técnico. É a experiência de aprender com nossas vivências, é o conhecimento que os anciões/mestres/gurus carregam. Pode ser articulado ao Eremita (arcano nove do tarô). São os conhecimentos esotéricos, herméticos, mágicos dominados apenas pelos iniciados. Esse símbolo lida com as dimensões mais densas e imutáveis da criação. Talvez próximo a
Obaluaiê pelo ar de mistério, aridez, castração e morte que envolve esse arquétipo.
O Sol e a Lua são os aspectos dúbios e complementares da criação. Esses dois luminares celestes reduzem em si talvez o reconhecimento mais fundamental na vida humana: a diferença entre dia e noite. E desdobra de si infinitas dualidades: homem/mulher, ativo/passivo, claro/escuro, cultura/natureza, quente/frio... e por aí vai... Simbolicamente esses pares de opostos são complementares e, portanto, equivalentes. Porém, na prática é evidente que a sociedade machista em que vivemos privilegia um dos pólos. O interessante, no entanto, é notar a existência do masculino e do feminino como partes indispensáveis de uma unidade precedente. Assim, o Sol e a Lua, nesse contexto, representam o eterno movimento de divisão, união e criação (nova divisão).
Mercúrio e Vênus são planetas derivados da "tensão" entre o Sol e a Lua. Sendo que Mercúrio representa o poder dinâmico externalizador da dimensão solar/masculina da criação. É aquele que domina intelectualmente as forças da natureza e o faz em favor de seu próprio interesse. Ligado à racionalidade, ao ego, às trocas (de bens e de saberes). É o Mago do tarô. Por outro lado, Vênus simboliza a força receptiva ou introspectiva da dimensão lunar/feminina da criação. Resume tudo que é belo e harmônico no mundo. É a sensualidade e aquilo que envolve o mundo dos sentidos físicos (visão, paladar, audição, olfato e tato) e tudo aquilo que é agradável a estes. Na união desses dois aspectos temos o equilíbrio e a justa medida das coisas. A partir disso emerge o Caduceu de Hermes, que sugere a transformação, sublimação ou transcendência pela união dos opostos. É a força vital (ou libidinal) que parte da base da coluna e explode no alto da cabeça, percorrendo e ativando todos os chacras.
Alfa e Ômega representando o início e o fim do mundo
O
Cálice (água), a
Espada (ar), o
Bastão (fogo) e a
Moeda (terra) representam os quatro elementos. A partir disso podemos expandir o sentido com analogias: água-sentimento, ar-pensamento, fogo-intuição, terra-percepção. Essa comparação foi proposta por Carl Jung e nesse
site está bem da hora Essa interpretação difere das que encontrei pela internet (
link), mas penso que assim está coerente aos naipes do baralho do tarô e pra mim faz mais sentido, foda-se.
Além desses, existem outros símbolos no Tetragrammatom, mas não vou falar daquilo que não conheço.