A relação afetiva entre a parcela cult e o Brasil é algo complexo. Ao mesmo tempo que amamos a tudo aquilo que é genuinamente brasileiro, como um bom samba carioca, uma boa cachacinha, um caipira jeca, a semana de 22, religiões afro-brasileiras e todas essas coisas... Também temos uma relação de ódio a toda sorte de nacionalismos, ufanismos, getulismos, populismos e toda essa corja de raposas quiabentas da política reaças.
Ao mesmo tempo que odiamos a cultura estadunidenese (é... pq americanos somos todos nós!) por invadirem e destruirem toda as nossas raizes musicais, artísticas, linguísticas, por uniformizarem o mundo, impondo suas calças jeans e seus Mc Donalds... Também amaaamos um sotaque francês nas nossas músicas e filmes; um toque alemão na nossa filosofia de cabeceira; um poquinho de angolano na nossa dança...
Ao mesmo tempo que consagramos o mestre Cartola, Candeia, Jamelão, por representarem a voz da favela, o grito artístico-político de um povo expropriado economicamente. Nos reconhecemos nessas músicas brasileiras, somos pertencentes ao Brasil ao cantar O mundo é um moinho por aí. Agora, nós, com certeza, execramos qualquer tipo de expressão do funk carioca. Essa degradação e reificação do corpo feminino. Isso não é, de forma alguma, o tipo de música que esperamos sair de um morro! Devemos lutar contra isso, minha gente!
Ao mesmo tempo que consagramos o mestre Cartola, Candeia, Jamelão, por representarem a voz da favela, o grito artístico-político de um povo expropriado economicamente. Nos reconhecemos nessas músicas brasileiras, somos pertencentes ao Brasil ao cantar O mundo é um moinho por aí. Agora, nós, com certeza, execramos qualquer tipo de expressão do funk carioca. Essa degradação e reificação do corpo feminino. Isso não é, de forma alguma, o tipo de música que esperamos sair de um morro! Devemos lutar contra isso, minha gente!
Enfim, somos mesmo complexos. E não tente nos entender, só nós, os iluminados, nos damos ao luxo de entender algo.
Moral da história: amor ou ódio é sempre uma questão ética.
Um comentário:
Até que enfim alguém usando o estadunidense, nada mais natural, minha gente! E o funk carioca então, eu nem discuto mais sobre isso pra não passar raiva, só vou falar sobre esse assunto com vc, humpf! Tem também o rap, vc esqueceu, mano!
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