25 de outubro de 2009

Brincadeira de intelectual


Sabe o que nós, os pseudos-cult, fazemos? Brincamos. Apenas brincamos.
No boteco, sábado, depois de uma ou duas cervejas baratas (porque nós não ligamos pra esses padrões burgueses de cerveja boa e tal) nós brincamos de resolver o mundo. Discursamos sobre como é desumano esse sistema capitalista opressor, apoiados em qualquer teórico marxista, durante horas. Falafalafalafalafala, bebebebebebe, comecomecomecome. No fim, pagamos a conta, damos um gorjeta pro garçom (e assim acreditamos que estamos amenizando a exploração da classe proletária) e vamos pra casa com a consciência limpa.

Quando as contradições de classe se aprofundarem e os proleta adquirirem consciência de classe, vamos estar tinindo teoricamente e poderemos analisar muito bem todo o processo revolucionário.
Enquanto isso... Bem, enquanto a revolução vermeia não chega, a gente continua brincando. Brincando de discursar e escrever. Daí a gente põe a nossa tese numa biblioteca para que mais pessoas possam brincar de escrever e, assim, aumentar o nosso conhecimento acerca dessa realidade alienadora, num é?!

Na verdade, detestamos encontrar com a parcela miserável. Porque são nesses momentos em que percebemos que entender, teorizar, refletir, analisar, pensar sobre a desigualdade econômica é muito diferente de viver essa desigualdade. Quando ficamos frente a frente com concretizacão da exploração, nos sentimos meio inúteis por não estar fazendo nada pra mudar aquilo.
Quem passa fome não teoriza sobre o lumpemproletariado. Quem cata papelão não pensa sobre modos de produção. Moleque que trabalha no sinal não reflete sobre o trabalho informal. A ciência é burguesa! Você é burguês! Nós somos burgueses! Sim, nós exploramos! A culpa é de todos nós que só teorizamos, irmão! E escutar Racionais não te faz melhor que os que escutam pagode.

Por isso, o que realmente gostamos de fazer é entrar na biblioteca da nossa faculdade elitista, onde a pobreza que está nos livros não nos assusta tanto assim. E ficar lendo por horas sobre a pobreza, exploração, mazelas... Aí sim, podemos xingar os burguezinhos, playbas, almofadinhas que não percebem as contradições capitalistas. E, mais a noite no bar, poderemos discursar sobre o filósofo francês firmeza que encontramos e que estava meio esquecido pelo mainstream.

Blog de exemplo:Eu tenho uma amiga.

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