25 de janeiro de 2012

Se brasileiro não tem memória...


Só para marcar o quanto a conjuntura político-econômica desses meses me espanta. Vai que depois eu esqueça de toda essa revolta que senti. E pra finalizar:Maria Inês Nascimento.

11 de janeiro de 2012

Gratidão fraterna



O sentimento de gratidão está entre as mais belas experiências humanas que se pode compartilhar. Para ser grato é preciso antes de tudo amar. E aí o amor aparece como um sair-de-si, é como compreender-se enquanto um sujeito compartilhado, dividual, aberto à alteridade.
E hoje fui invadido por isso. Sinto-me muito grato pelas vivências que as pessoas queridas que me cercam puderam proporcionar. Agradeço a todas as pessoas que ajudaram a compor minha vida; compartilharam histórias, lembranças, sons, alegrias, aromas, lugares, experimentações, ensinamentos. Sem meus amigos acho que estaria num lugar bem diferente do que estou e seria muito diferente do que sou também.
Tenho lembranças tão boas para contar: Ilha do Mel, Ushuaia, Tamarana, Ponta Grossa, Ilha do Baiano, Curitiba, Minas Gerais, Maceió, Caraguá, Rio Negrinho... são lugares que as pessoas transformaram em memória, transformaram em saudade, em sentimentos bons.
Foram tantos momentos indescritíveis que fazem emergir em mim o sentimento de gratidão enorme.
Obrigado por compartilharem o tempo de vocês comigo.
Obrigado.

Obrigado por estarem aberto para mim, por entender minhas manias, meus gostos, desgostos, chatices. Obrigado por estarem exatamente aonde deveriam estar, mesmo sem saber disso. Sempre me deram a força para enfrentar essa babilônia do dia-a-dia e para aproveitar os bons momentos que nos fazem mais humanos.
Agradeço por serem quem são transformando-me em quem eu sou.
Quero muito mais fogueiras, cachoeiras, praias, mato, festas de república compartilhadas. Quero muito mais poder doar pra vocês tantas experiências boas quanto doaram para mim.
Obrigado.

10 de janeiro de 2012

Manifesto do preto no branco

Nasci branco! Cheguei a esse mundo com a pele bem rosada de tanto choro, cabelos negros e escorridos na cara. Cresci branco. No meio de uma classe média emergente fui adquirindo todos os traços de uma criança branca saudável. Minha família fez questão, mesmo que sem saber, de me ensinar todos os preconceitos que são esperados de um cidadão de bem. Homofobias, racismos, machismos foram entoados repetidamente durante minha infância.
O projeto de meus pais deu tanto certo que consegui entrar numa universidade pública: o sonho da classe média emergente, intelectualizar-se, igualar-se financeira e culturalmente à classe alta. Proletários da classe dirigente tentando se parecer o máximo possível com burgueses.
Só não contavam que toda aquela educação de qualidade oferecida - o ensino das melhores escolas particulares (pagas com muito arrocho) - iria fazer com que eu escolhesse um curso universitário de comunista, de hippies, de vagabundos, de maconheiros. Na universidade virei preto! Nasci preto! Minha pele escureceu, meu cabelo se enrolou, sambei. Tenho os pés negros no chão do terreiro do candomblé, umbanda, jongo, umbigada, forró, maracatu!
O sangue que corre nas minhas veias não é mais aquele vindo da Itália durante a terceira leva de imigrantes. Não! Faço questão de não lembrar disso. O que está marcado na minha carne é o suor do povo preto que veio açoitado da África. Um povo tão belo que apesar de 400 anos de políticas de desumanização consegue lembrar e cantar suas histórias, mitos, fé, danças!
Sou preto! Meu peito explode ao som dos atabaques, sinto uma dor incabível quando vejo um irmão sofrendo violência!
Sou preto, sou brasileiro, sou eu! Tenho orgulho da minha terra, das minhas raízes! Raízes caboclas, caiçaras, caipiras, negras!