Nada de mau humor por aqui. Isso seria como que olhar só pelo cantinho do olho, bem rapidamente.
Sinto mesmo é o peso do existir. Carrego em meu peito algumas angústias, mas nada de grave. Para ser sincero, sei que isso é passageiro, portanto não há porque se preocupar. Só me deixe aqui carregar esses sentires em mim. Vai vê é isso que eu preciso mesmo.
É que as vezes eu realmente me canso dessa coisa toda e quero curtir esse vinho sozinho. É como se eu tivesse um nó aqui na garganta e precisasse desatá-lo, mas sem pressa. Preciso me perder nas veredas do meu eu para sair de mim mesmo com olhos claros de quem achou o anel que a vovó havia dado.
Quando olho para dentro, devo mesmo ficar com uma cara de nojo porque o que eu encontro nesse auto-mergulho não é nada simples. Olha aqui para você ver: tem interesses sujos, lembranças encarquilhadas e rancores fedorentos. Mas esses fantasmas são inofensivos se você não lhes der muita confiança. Venha! É só passar por eles, dar boa noite e seguir caminhando. Pronto. Aqui está o nó. Veja nem tão difícil de desatar. Mas agora não... ainda quero ficar de olhos fechados, me curtindo.
"Ei! Quanto tempo não via você, querida neurose. Chega mais, vamos tomar só mais essa. E o que me diz sobre aquela insônia de ontem. Zombaria sua, né? Sabia!"
Espera, tem mais coisas aqui! São bonitas de se ver. Mas essas não sou eu que vou te mostrar, é você quem vai descobrir. Pode entrar, só não liga a bagunça.
Só mais uma coisa: você também tem um nó na garganta. Mas ele lhe cai bem se fingir que é uma gravata!
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