15 de agosto de 2012

Entre djambas e livros


É por essas coisas que venho pensando e escrevendo que acho que tenho alguma forte ligação com essas fervilhantes décadas de 1950 até meados de 1970, algo além da forças sociais, culturais e históricas que me impulsionam. Digo que talvez o meu Eu já tenha vivido em algum beco úmido da California ou de Nova Iorque (ou quem sabe cruzando o país de um até outro) nesses anos. Porque não consigo ficar indiferente às batidas do jazz ou à sensualidade do blues. Mas que pedante soa isso, não!?
Não é por considerar que esses gostos me trariam um acúmulo de capital entre o meio social que frequento... Talvez no início de tudo, quando comecei a escutar Janis e Bob Dylan, essa motivação tenha sido a principal mesmo.  Ou talvez venha buscando aquele canto da sereia que é a origem pura de tudo: o som mais inicial, a loucura mais válida, o projeto de sociedade mais revolucionário, aquele ponto (ínfimo) onde algo modificou a forma de pensar da juventude, como o girar de um botão sintonizador. Isso não existe, minha criança. Ou melhor, só existe enquanto ficção.
Mas como justificar as ondas de prazer que me invadem ao escutar o som psicodélico - intenso, contorcionista, caótico, rizomático - de Slim Gaillard? Não sei... sou levado pelo som. Levado para um lugar muito familiar, muito confortável, quase morno. E sei que esse lugar já me é conhecido a muito tempo.
Sabe, as coisas não nos encontram por acaso em nossas vidas (mas se for, precisamos dar sentido a tudo que nos cerca e nos implica), e sei que o desdobrar infinito de instantes me levou a ser quem sou AGORA.
É lindo construir uma linearidade para essas belezuras da vida: 2ª Guerra, "american way of life", outsiders, hipsters, jazz, negros, plantação de algodão, blues, estrada, beats, Guerra-Fria, pílula, mulher, homossexuais, LSD, hippies, Vietnã, woodsotck, Age of Aquarius, hinduísmo, budismo, taoismo, The Beatles, ditadura militar brasileira, Tropicália, Novos Baianos... e isso não para nunca mais, tanto pra frente, quanto pra trás e pro lados, dando piruetas e pulsando (se considerarmos o multiverso).
Lindo!


Essa foto é Neal Cassady à direita (em quem Jack Kerouak se inspirou para tecer o personagem Dean de On The Road) e Timothy Leary (aquele mecenas que difundiu o uso de LSD como meio para "expansão da consciência") viajando num busão em 1964.
fonte: http://www.nytimes.com/imagepages/2006/11/19/books/19campb.html 

Nenhum comentário: