8 de maio de 2012

Fluxos e pulsos

É muito interessante essa coisa da subjetividade. Como pode todo esse conjunto de substâncias que nos alimentam, curam, aliviam, extasiam se transformarem, ao consumí-las, em estados de espírito, saúde, vigor, ânimo? É como se a matéria sublimasse em nosso corpo, como se o consumo fizesse com que as "coisas" engatilhassem em outros níveis, outras dimensões. O café se transforma em insônia. O álcool em festa. O chocolate em prazer. São materialidades subjetivas ou subjetividades materiais.
E o inverso também é válido. Uma alegria termina em riso, despedida em choro, saudade em aperto no peito. São essas trocas dimensionais que me fascinam. Afinal onde habita a psicodelia? No papel que engolimos ou no cérebro banhado por neurotransmissores? Na estrutura simbólica que condiciona o que é racional ou na estrutura psíquica do indivíduo?
Talvez seja mais interessante olharmos para as relações, nas trocas. No modo como o corpo encapsula a substância e como a matéria se transforma em corpo, sujeito, sensação, desejo. Afinal somos o que somos porque não estamos apartados do mundo. Sujeitos relacionais é o que somos. E não nos relacionamos apenas com pessoas, também com objetos, substâncias. É o alimento que vira nutriente, que vira hormônio, que vira pensamento, que vira sujeito. Esse sujeito que faz escolhas, que é condicional, que classifica aquilo que entra e sai de seu corpo.
E se o sujeito for um pulsante conjunto de fluxos? O que me interessa é saber o que se subjetiva e o que se materializa, quando e porquê! E se além do visível o sujeito também for composto por coisas que estão antes da matéria? É... somos um nó desse emaranhado de energias e matérias. Isso...
Pira!

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