30 de agosto de 2011

Movimento anti-apolíneo da escrita

Sabe, essa vida na qual me meti está me matando. Quando era mais jovem, não tinha noção das coisas do futuro. E na verdade, ninguém o tem. Sem pensar, nem planejar, prestei vestibular e entrei numa universidade pública periférica. Tive, dentro de casa, a opção de escolher entre os mil cursos disponíveis. Mas será que tive a opção de escolher entre fazer ou não um curso superior? E será que eu era realmente autônomo se pudesse ter feito essa escolha? E será que a liberdade realmente está nas nossas mãos para usá-las como gostaríamos?
Não sei. O que sinto agora é que quanto mais caminho para o mundo adulto, das responsabilidades, solidariedades, blá, mais acho que minhas liberdades (ilusões) vão sendo podadas. Esse aqui é um manifesto contra o cerceamento da criatividade que sofri na academia. Muito foda. Você vai escrever e é treinado para expressar aquilo que agrada seus professores, o sistema burocrático em que estão envolvidos, as insituições de fomento à pesquisa e toda essa bulhufa toda. Não posso mais ser prolixo, incompleto, incoerente, igramatical, dislexo, anormal, descompassado, emocional, explosivo, tendencioso, parcial, subjetivo, criativo, transléxico, multimeios. Porra! Eu uso muitas vezes o backspace e o delete! Não dá mais, as coisas ficam muito truncadas, cheias de prazo. Detesto prazo, detesto praz, detesto pra, destesto pr, detesto p... viu o que acontece com o prazo na academia? Ele some!!!

Faz tempo que não postava nada no blog, decidi fazer isso pra poder extravazar meus sentidos mais dionisíacos do pensamento e escrita. Quero escrever o que quiser e como quiser, coisa que não rola em outros níveis. E por que privilegiar esses outros níveis? Porque são eles que podem me dar dinheiro! Merda!

Maaano, por favor, me dê uma casa no campo, um lugar pra escrever poesias, uma cachoeira pra ouvir o universo e uns pés de laranja pra garantir o sustento da família!