9 de dezembro de 2011

Para quem?

Ó, Fortuna, por que deixa-me tão inseguro?
Por que destrói tanto meus planos para mim e para a vida?
Por que me apresenta o caos quando peço a constança?

Tenho dons para ermitão, mas meus laços morais não me desatam a liberdade presa em meu peito.
Quero a liberdade do louco, mas com a sanidade do chefe de família. As contradições se impõem e se angustiam sobre minha cabeça.

Não! Não vejo nada além do presente! Queria ter o poder de manipular a vida, mas descubro-me tão ínfimo quanto uma folha no rio. Quando chegarei ao mar? Quando serei o mar? Quanto de mar existe em mim? Turbulentas água chegam no oceano e este não se agita. Minha alma faz parte do Universo e o Universo está em mim, mas estamos tão separados quanto a terra das estrelas.
Queria sentir o pó cósmico que pulsa em meu corpo, sentir a razão divina que vivifica meu espírito.

A sociedade me corrompe porque ela não obedece aos meus impulsos, ela constrange e não potencializa. Só quando acha necessário. Tecer as linhas de fuga é mais difícil quando não se tem ao certo para onde fugir.

Ó, Fortuna, por que nunca está a meu favor?
Por que quando me ilumina com seu apogeu não me dou conta?
Por que tão cruel e tão materna?
Por que ensinas pela pena?

Árduo é o caminho para escutar os pássaros e riachos.

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