6 de setembro de 2011

Sobre como a vida vai estar sendo, ou não sendo ou sendo e não sendo ao mesmo tempo...

Talvez continuando o movimento da postagem anterior (tentando utilizar menos o backspace e/ou o delete)...


Essa entrevista do cartunista Laerte para o Abujanrra (como é o nome dele?) é firmezíssima, material jornalístico daqueles finos. Se bem que esse julgamento de valor é um tanto pessoal - como todos o são - de maneira que, me identifico muito com o debate proposto pelo Laerte, sabe!? Acho incrível essa coisa de transpassar, cruzar, deslocar, desterritorializar, borrar essas fronteiras mesmo. Se tenho pretensões políticas, talvez essa seja a que mais me apaixona: bagunçar caixinhas classificatórias pra ver no que dá, brincar com o caleidoscópio (como quizera o bom velhinho Lévi) das regras universais, ou não, da humanidade.

Mas o que eu queria compartilhar hoje não é esse monte de lhufas aí de cima não! É sobre uma pergunta que o cara fez ao Laerte. "O que é a vida?" Me interessei muito por essa questão, porque ela me parece infindavelmente sem solução, por mais que as pessoas sempre perguntem. "Qual o sentido da vida?" Não sei. E talvez não saibamos porque não devemos mesmo, não que seja algo predito para que a humanidade, tola e inescrupulosa que é, seja proibida por forças maiores de atingir esse conhecimento.
Entendo que não sabemos o que é a vida (digo nós o pobres mortais mais humildes das humanidades, lá os biólogos já resolveram essa questão de longe) porque essa palavra, conceito, termo, coisa, experiência semântica ou concreta, foi "feita" - pelos homens mesmo - a partir de um desconhecimento. Pensando assim, o desconhecimento estaria no cerne da questão. Não sabemos e pronto e a razão iluminista que vá cagar na lata, sabe!?
Bom, mas se tentasse dar uma resposta a essa pergunta, caminharia mais ou menos assim: A vida é uma explosão de possibilidades, são desdobramentos de infinitudes, o grande movimento de inventar-se a si próprio, talvez a vida seja movimentos de expansão e contração (convenção e invenção - a lá Roy Wagner) infinitamente condicionados sobre si mesmo. É por isso que entendo essa coisa toda como um troço aberto à novidade, à utopia, ao impoderável, ao acaso, ao caótico... A vida é algo que vai, que pula, que rodopia, que atravessa, é uma espiral que muda de direção, sentido e qualidade, tornando-se concreta no momento em que sublima (e digo isso pensando no presente/agora como o único tempo que realmente existe, se é que algo realmente existe).
E o pior que essas coisas todas que disse ou escrevi ou pensei são palavras, saca? A vida não se resume a esse conjunto de linhas e curvas e pontos juntos ou a esse conjunto de vibrações do ar que chamamos de som oooou a esse conjunto de impulsos elétricos, entende? A linguagem é meu limite.

A vida é um fogo-de-artifício infindável!

Um comentário:

Anônimo disse...

a vida torna-se concreta no momento que sublima :)