13 de fevereiro de 2011

Já era

Tomei um susto.
Como se tivesse enchido os pulmões de ar depois de um longo período debaixo d'água. Sabe como é essa sensação? Se eu fosse lírico, falaria que tive uma epifania. Mas não foi um instante que me sensibilizou, foi uma semana ou até um mês, não sei.
Quando o um vento diferente soprou meu rosto, descobri que passei para o outro lado. É, descobri-me envelhecendo. Não é só uma pegada com a idade. Vai além.
Um dia é um resmungo, outro dia é uma maniazinha que chegou e não largou e quando vi já estava - cuspido e escarrado - com todas as péssimas idéias de meus pais. Justamente com aqueles pensamentos e comentários que sempre detestei ouvir dos meus velhos.
Cansado pra sair de balada, enjoado das músicas pop da jovem pan, sem paciência pra aglomerações, com medos inexplicáveis, preocupações infudadas. Mas o pior tudo é pensar no futuro da família.
Além de gostar de músicas estranhas: blues, MPB, bossa nova, rock clássico, folk... Vou confessar até que me peguei um dia ouvindo Bach!

Que me desculpem meus amigos, mas estou gostando de envelhecer. Quero ser daqueles tiozões de cueca larga, barriga proeminente e branca, semi-careca com pelos nos ouvidos, fazendo piadas e falando do tempo da carochinha!

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