Oh mestre, fazei com que eu procure mais consolar
Do que ser consolado,
Compreender do que ser compreendido,
Amar do que ser amado,
Pois dando é que se recebe,
E perdoando é que se é perdoado.
Obrigado,
Do que ser consolado,
Compreender do que ser compreendido,
Amar do que ser amado,
Pois dando é que se recebe,
E perdoando é que se é perdoado.
Obrigado,
Jah!
Porque o caminho de tentar compreender é sempre solitário. Esse exercício de sair de si - como se isso fosse possível - para entender o mundo de dentro dos olhos de outro é um dos exercícios mais difíceis. Isso porque a nossa individualidade fica arriscada então. Tudo o que nós acreditamos como sendo certo é questionado nesse movimento. No fim, é perigoso e solitário esse salto.
Solitário como os loucos o são. Qual racionalidade aceitaria ser relativa? Não! Temos fé na nossa fé. Mas tentar entender a humanidade para além de nós mesmos é como sobrevoar o mundo, vendo-o desaperecer. Perder a unidade coerente de si. Claro, isso não sou capaz. Mas não é por isso que vou deixar de tentar. Em busca do impossível.
É solitário porque é incompreendido. É solitário porque nunca seremos mais o mesmo, o eu some. Me perco de mim na procura pelo outro.
Consolar, compreender, amar, doar, perdoar é solitário porque ninguém enxerga essa luta além de nós mesmos. E também o é porque é algo travado entre os conflitos internos do eu.
E é solitário porque nunca se consegue atingir o objetivo, não há linha de chegada, não há o beijo da donzela apaixonada, não há recompensas. Um beco sem saída e sem volta.
O que existe é o fracasso dessa tentativa frustrada de início.
E por que continuar tentando? Não sei, não sei... talvez não consiga agir diferente. Talvez seja meu jeito de ser como sou. A praia, a cada braçada, ficando mais longe e o fôlego se acabando.
Meu fardo, minha solidão!


