24 de março de 2010

Insone

Sonâmbulo, zumbizando, pensando demais pra dormir, pensando de menos pra sonhar. Pensando e sonhando, planejando, desplanejando.
Questioando-se, lançando questões ao mundo, refletindo.
Infinito lá fora e aqui dentro, mergulhando, viajando, brisando.
Madrugando.
Fazendo samba, amor e poesia até mais tarde.
Sendo responsável e deixando a maresia levar.

22 de março de 2010

Nota mental

Quero estudar a contra-cultura, tropicália, Caetano Chico Bethânia, Novos Baianos, Doces Bárbaros, Outsiders, Museu Nacional se pá, toda essa malucada louca andrógena libertadora contestadora.

Quero estudar o banditismo, Nação Zumbi, a Pedra do reino, o pé sertanejo sujo de lágrimas secas e dolorido, castigado pelos latifundiários, heróis sonhadores e pelejantes.
Quero estudar o racismo escancarado, a concentração de capital assassina que classifica à marginalidade metade da população brasileira, encarcera, destrói, mata, mutila o povo mais belo e complexo da humanidade.

Quero estudar a relação sujeito-objeto nas ciências sociais, me perder nas vísceras do conhecimento e na história do pensamento, pegando pelas estruturas históricas da humanidade. Entender Nietzsche, Husserl, Hegel e tal. A filosofia filosófica. A meta-ciência.


Cansei de estudar, analisar, criticar. Cansei dessa ciência arrogante que se auto-reproduz. Vivendo de seu mundinho criado, acadêmico.

Quero logo sair por aí vivendo, sentindo, vendo, experenciando, afetando e sendo afetado!
Chega de crises! Quero meu sítio, minhas criações, meu pomar, minha morena me fazendo cafunés, vendo os graubim nadando pelados no riberão.
Subir na mangueira pra agarrar o vento pelo pé!
Quero minha rede preguiçosa pra deitar, quero logo concluir. Pescar de manhã, filosofar a tarde e fazer poesia a noite.

21 de março de 2010

Pastor João e a Igreja Invisível

Eu não sei se é o céu ou o inferno
Qual dos dois você vai ter que encarar
E foi pra não lhe deixar no horror
Que eu vim para lhe acalmar


Se o pecado anda sempre ao seu lado
E o demônio vive a lhe tentar
Chegou a luz no fim do seu túnel, minha filha
O meu cajado vai lhe purificar


Pois eu transformo água em vinho,
Chão em céu, pau em pedra, cuspe em mel
Pra mim não existe impossível
Pastor João e a igreja invisível



Para os pobres e deseperados
E todas as almas sem lar
Vendo barato a minha nova água benta
Três prestações, qualquer um pode pagar


O sucesso da minha existência
Está ligado ao exercício da fé
Pois se ela remove montanhas
Também tráz grana e um monte de mulher.



Porque é o Raulzito! heheh

17 de março de 2010

Confissão

Queria confessar que sou uma farsa. Entre todas as coisas que digo fazer, pensar, sentir e não faço, penso, sinto, existem muitas lacunas que me incomodam e outras nem tanto.
Por exemplo: acredito na necessidade de uma reestruturação completa dessa sociedade. Mas a distância entre acreditar e lutar por algo é grande e desagradável. Mais que uma farsa, no fim, eu devo ser um covarde com um quê de hipocrisia. Sem coragem pra realmente agir como queria.

Nunca teria a atitude heróica dos companheiros que foram torturados pela ditadura. Nunca! Seria bem mais egoísta. Meu bem-estar, nesse contexto, estaria acima do coletivo. Teria delatado tudo o que me perguntassem. É, fui educado pra ser um cuzão, talvez. Sob a ética protestante e tal. E o engraçado que aponto os defeitos e culpo sempre um ente exterior a mim. Se acreditam é porque são tolos.

Além de que sempre tomo como ponto de partida da minha prática o próximo. E com a petulância de dizer que faço isso porque acredito na alteridade. É bem a cara desses humanistas mesmo. Não confiem em mim. Não caiam nessa besteira. Além da covardia, também sou preguiçoso. Tenho preguiça de me relacionar comigo mesmo. É... Não quero me enxergar. Muito trabalhoso. A introspecção não me vale a pena. E isso faz com que nunca seja sincero nem comigo mesmo, o que dirá com você.

Pior espécie de gente: farsante, covarde, egoísta, cuzão, hipócrita, arrogante, petulante, falso-humanista, preguiçoso, não sincero.
Não espero piedade, ou talvez espero sim. Só que com esse discurso pretensamente humilde. Espero dizendo não esperar que é pra aumentar a credibilidade.