16 de agosto de 2010

Falácias






Quando o método causal é abandonado na reflexão sobre as relações de poder tecidas cotidianamente, alguns elementos se tornam assustadores. Absurdo! Primeiramente porque percebe-se que esse método deixa de lado a dimensão histórica da realidade, seu contexto econômico e político. Ou melhor, constrói tais ficções para que estas fundamentem seu discurso.
Ou seja, quando entende-se que a produção, comércio e o uso das drogas são a causa da violência e da degeneração humana, inventa-se uma narrativa para embasar tal discurso. Tomando-o a priori como verdadeiro.

Veja bem, não estou dizendo que a produção, o comércio e o consumo de substâncias tidas como ilícitas são de toda forma ingênuos e inocentes. Estou dizendo que esses processos estão inseridos numa lógica capitalista de exploração do homem (o caráter violento já se inicia por aí) e que necessita de uma regulação paralela ao Estado (já que este não considera essa prática como legítima).

Porém o que considero como definitivo na inserção das drogas na condição violenta e merginal é o conflito entre éticas.
O consumo de drogas bate em cheio na ética protestante, na racionalidade instrumental, no individualismo vulgar, na medicalização da vida, na instrumentalização dos corpos e na cosmologia cristã. Todos elementos da reprodução do modo de produção capitalista, uns mais outros menos.
De forma alguma esses conflitos são abordados no discurso hegemônico. Tudo se torna absurdo quando relações mecânias de causa e efeito são utilizadas como ponto de partida para investimentos científicos que já possuem um fim definido. E para essa causalidade funcionar é preciso esconder a historicidade das relações. É preciso construir um separação imaginária entre ciência, política e economia.

Por que não ser sincero, pelo menos, com essa ética científica que julgam ter? Vamos lá! Sejamos coerentes então com a racionalidade neutra! Falácia! Falácias sustentam nosso modo de vida!

Nenhum comentário: