Aparentemente o outro machuca, fere, incomoda, frustra o que esperávamos que ele fosse. Aquele velho desagrado que o não-eu nos provoca, tudo isso de incompreensão, de egoísmos, de mesquinhez, de arrogância... Todas essas relações "mal cumpridas" são o que torna a alteridade inalcansável. Mas é além disso, além dessa incompreensão. É a incomunicabilidade. Porque não estamos falando de um objeto exterior a nossa subjetividade, mas de uma subjetividade que superficialmente coexiste com a nossa. Ou seja, existem mais pessoas no mundo além de nós mesmos e - assim como nós - cada uma dessas infinitas partículas de existência também pensam que são únicas, que possuem a verdadeira explicação, o modo de vida mais válido e o sentimento mais sentido. Enfim, são incomunicáveis porque só conseguem pensar a partir de si, a partir de seu ponto de vista, de sua história de vida. O outro não passa de uma invenção, uma historinha besta. E isso ao mesmo tempo que é uma "categoria empírica" difícil de ser negada.
Mas o que eu queria falar mesmo é que todos essas feridas que a relação com a alteridade nos causa somos nós mesmo quem nos causamos. Porque somos nós, enclausurados no ego, que criamos um mundo e.............. já cansei de pensar.................
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