18 de maio de 2010

Suspiros íntimos ou conselhos contra o afeto.

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


E não tenha pena de mim, por todo esse fatalismo. Tenha pena de si mesmo que vai ser escarrado, que vai ser apedrejado por sua inocência, pela confiança que depositou no outro. Eu sou esse outro, você é esse outro. Nós todos, por não conseguir saber o que é o outro, nos tornamos vis, egoístas, ardilosos, arrogantes. E isso não é um defeito desse ou daquele modo de existência. Mas um defeito de toda humanidade que se construiu pela individualidade.


Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me...
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me...

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