10 de fevereiro de 2010

Lutar pela buniteza


Às vezes sinto um completo pavor pela humanidade. Algo como não se reconhecer participante desse grupo que não vê sua unidade, semelhança, humanidade. Fica difícil compreender tanta perversidade, exploração, dominação, desrrespeito, autoritarismos. Assassinatos, torturas, egoísmos. Violência contra a alteridade, enfim.

Mas, em certos momentos e afetações, sinto-me completamente feliz em ser humano. Em ser diverso. Ver a possibilidade real que temos de tornar a convivência algo produtivo, livre, artístico.
E são nessas horas que me sinto forte e com o dever de lutar pela buniteza humana, lutar por relações mais dignas e livres de moralismos limitadores, valores individualistas. Lutar por uma humanidade mais humana.

Porque tenho o orgulho de dizer que acredito, fundamentalmente, na autonomia do diverso, na liberdade da infinitude humana. É preciso estar ciente da responsabilidade e da influência que exercemos sobre a alteridade.
(A África não é subdesenvolvida. Ela está subdesenvolvido por um processo consciente de certos grupos hegemônicos. E qual o preço desse desenvolvimento? Aprendi uma coisa com um amigo que levo pra vida: sempre perguntar "até que ponto" e "em que medida")

Concordo com o Sartre que diz: "o inferno são os outros". Mas é preciso ir além disso. Os outros são inferno por serem diversos. A identidade tem o terrível hábito de ser egoísta e universal. Mas é na multiplicidade que mora a buniteza do homem. Enxergar e tentar entender a alteridade é nossa missão como humanos.
Se existe uma natureza humana, acredito que seja a infinitude. E lutar contra isso é ir de encontro com a monstruosidade.

Sejamos livres para amar e para lutar contra o desumano.

Um comentário:

Catarina disse...

Como diria um professor mto foda meu: é preciso aprender a conviver com o caralho da diferença!