
A sociedade ocidental capitalista pós-industrial judaico-cristã moderna (classificações grandes são bem legais) é bem problemática como qualquer um pode ver, né!? Mas é sempre interessante notar algumas relações históricas entre coisas que, aparentemente, não tem nada a ver. Por exemplo: a cisão entre o mitos e o logus, ocorrida durante a Grécia Antiga (e que inspirou o Iluminismo), é um dos elementos fundantes da nossa visão de mundo e é, ao meu ver, o que fodeu com tudo.
Perceba.
Quando se quis garantir uma objetividade do conhecimento apelando para a racionalidade, empirismo, cientificismo deixamos de lado, invariavelmente, a dimensão subjetiva do conhecimento. Mais do que isso: durante todo o looongo processo de dessacralização da vida pública do homem ocidental as dimensões do mito, da religião, do metafísico foram perdendo espaço. E com isso foi sendo esquecido também, em favor dessa racionalidade, as narrativas fundantes que balizavam a identidade desses homens.
Tradição se opõe à modernidade. E esses saberes tradicionais perderam espaço para os tecnológicos. Grande merda!
Sempre gostamos daquelas imagens de heróis fortes, destemidos, determinados a morrer por seus valores. Houve um tempo em que essas criaturas habitavam entre nós, mas os merdinhas dos cientistas e dos tecnólogos fizeram questão de acabar com eles.
E onde vamos buscar nosso ethos guerreiro, já que não são tão fáceis de encontrar por aí? No rei Arthur, Senhor dos Anéis, Guarani, Hércules, 300 de Esparta, São Jorge, Xangô, um príncipe encantado qualquer. Enfim, agora ficamos vendo filminhos bestas e sonhando!
Em favor da ciência acabamos com algo que agora tentamos reconstruir. Aaah, esses alquimistas!
Filme: Nós que aqui estamos por vós esperamos