28 de setembro de 2009

Olá, eu sou a diferença.

Você não me conhece e nem vai me conhecer. Sabe por quê? Porque eu sou a diferença.
E a identidade nunca consegue compreender a diferença. Pra você, só você existe. E isso é a realidade. Aliás a realidade é aquilo que você chama de realidade.
E aí, eu nunca estarei.
Você não me conhece também pelo simples fato de que sou múltipla, ou melhor: infinita. E você? Há! Você é única, monolítica, coerente, sistêmica, linear, coercitiva, ditadora! Você só pode ser você e nada mais. E nada mais pode ser você além de você.
Viu? Mas não tenho pretensão de convecê-la de nada. Toda identidade é cega, umbigo do mundo.

Apesar de tudo isso, minha amiga. Eu preciso de você e você de mim. Somos tão antagônicas, tão opostas, tão diversas que não existimos uma sem a outra. Lindo, né!? Não!

24 de setembro de 2009

Chico, mas é claro!

E pseudo-mediano-cult que se preze tem que gostar do mestre Chico, não é?
Por sinal, sair cantarolando por aí qualquer coisa de Chico te dá muito prestígio entre as moçoilas que não se importariam em catar um sexagenário charmosão daqueles...

Falando nisso, um pouco mais abaixo dessa escala está Los Hermanos. Aaah, se você souber alguns versinhos batidos deles fica meio caminho andado para conquistar qualquer maria-cult. E não, não vale Ana Júlia!
Aliás, você já viu como elas se ficam durante um show? Sei lá, parece que vão lá só pra sofrer, chorar, gritar, espernear diante do palco, uma coisa meio: pago pra lembrar que sou mal-amada e perder a decência em público.
Nada contra. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é (isso só pra não perder o costume de citar versos famosos no meio da conversa, pra impressionar mesmo).


Deus me deu mãos de veludo
Prá fazer carícia
Deus me deu muitas saudades
E muita preguiça
Deus me deu pernas compridas
E muita malícia
Pra correr atrás de bola
E fugir da polícia
Um dia ainda sou notícia

(Chico Buarque)


Moral da história: Se você não tem nem barba volumosa, nem olhos azuis, cante músicas de quem tem.

19 de setembro de 2009

Pira

Falando em liberdade e tal... Olha o que minha mente tosca criou num momento de liberdade criativa louca. Só pra explicar, estive pensando numa máquina que gravasse os nossos pensamentos e nas facilidades que isso geraria. Mãããs, cheguei a essa conclusão:

Gravar o pensado é pensar denovo,
Ou seja, viver denovo.
Vida é pensamento. Pensar é estar vivendo.
Só nos agenciamos no mundo,
Nos exteriorizamos no mundo,
Nos objetivamos no mundo, através de nossa percepção dele.
Construímos nosso conhecimento sobre o mundo através de nossa memória,
lembrança, realidades apreendidas.
Portanto o mundo é nossa lembrança.
O mundo é percepção.

E tenho dito, irmãos!

Medo universitário

Aaai ai... Falando em academia e essas coisas todas. Tenho medo de uma única coisa: o não-saber, aquilo que é desconhecido.
Nesse mundo em que a quantidade de autores que você conhece, artigos que produz, notas de rodapé que tem, correntes teóricas com que dialoga...

Então nesse mundo estranho em que tudo isso vale status, temos que tomar cuidado para que o nosso ouvinte não nos pegue com algum autor croata (com nomes escrotos) desconhecido pela maioria dos mortais e que desconstrói todo o seu pensamento rapidamente; Ooou tomar cuidado se o ouvinte não é de uma corrente teórica totalmente underground e contrária a sua, aí a conversa fica extremamente chata. Até você organziar seus pensamentos e tal...

Sempre tem um chato que pergunta: Hmmm... mas você não leu a obra de Pietrv Skomptka? Ele faz justamente isso que você está fazendo!
Ou então vai que um dia, calmamente andando pelos corredores e pans, alguém salta na minha frente e pergunta: AHÁ! Em que contexto está inserido o conceito de rizoma de Deleuze???
Meeeu, isso é muito estressante!

É disso que tenho medo, de estar sendo feito de idiota pela minha mediocridade teórica. Aaai e depois dizem que a elite intelectual desse país não sofre. Pffff... bestera!

14 de setembro de 2009

Livre-se

O que é a liberdade se não o desavergonhamento de nossas possibilidades? Ser livre é fervilhar, ser mutante, fluído. É estar disposto a viver.
Quero a liberdade do louco que pode caminhar entre o passado e o futuro, o aqui e o lá longe; pode ser e não ser ao mesmo tempo; pode se contradizer logicamente.
Insanidade é não morrer nunca, é conseguir olhar nos olhos do infinito.
Por que precisamos ser? A razão nos mata, nos limita, nos encaixota, classifica e essa porra toda.
Quando estamos livres ganhamos a infinitude de presente. Construímos oportunidades de ser tudo.
E é tão bom poder enxergar o encontro do mar com o horizonte e saber que está minha liberdade, na imensidão pacífica do mar, onde eu posso ir pra qualquer lugar.
Então me deixe navegar, caraio!

7 de setembro de 2009

Pfff

Então, o primeiro post sempre é o mais complicado. É uma espécie de mito fundante que guiará todos os outros posts. Adoro falar em mito fundante, ritual de passagem, complexo simbólico, agenciamento, teia de significados, identidade/alteridade, dicotomias. É muito bom utilizar conceitos que nem eu entendo bem só pro ouvinte (ou leitor) achar que sei do que eu estou falando. Deve ser o que o nosso amigo Foucault chamou de dispostivos de poder, né!? Aliás, li muito pouco de Foucault, mas aprendi desde cedo que é muito bom citá-lo no meio da conversa... só pra dar um pouco mais de legitimidade.
Sem falar no Bourdieu. Aaah... falou em Bourdieu, pronto!

Se bem que devemos prestar atenção no público, né!? Se a pessoa estiver usando uma camiseta vermelha, estampa do Che, boné do MST, barbado, sovaco peludo (no caso das mulheres)... aí sempre é bom citar Lukacs ou o próprio Marx e tal... Na verdade, se seu ouvinte for parecido com esse, melhor nem começar uma conversa séria porque vai descambar pra história dos meios de produção, movimento estudantil e essa parafernalha entediante toda. E esse povo lê muito, nem dá pra brincar com eles.
A não ser que você constate que ele só leu o Manifesto. Aí sim fica divertido tirar uma onda e argumentar toscamente sobre a dialética da puta que o pariu e essas coisas todas...


Moral da história: Fale só se tiver certeza que seu ouvinte/leitor sabe menos que você sobre aquele assunto.